Bruma – Série “Orí”
Decidiu ser só por trás do horizonte.
Onde cessa o dia e nasce a noite.
Aqueles que tentavam escolher seu destino cochichavam:
Rebelde. Desintegrou-se.
Mas, à distância, o corpo é bruma.
E seu silêncio, escolhido, agora era canto.

Quando se acalma o vento, dizem,
ouve-se seu cantar.
Feliz.
E, por tanto se amar, teve dois filhos.
Pequenos pedaços de si.

Passeavam pela floresta quando se perderam.
Dias viraram semanas.
Moribundas as crianças choravam.
Fome e sede.
Ela, então, transformou-se em nascente.
Uma fonte inesgotável de água.
Assim as crianças renasceram.
E a bruma virou rio.
Inspirado em um mito sagrado da cultura iorubá e do Candomblé sobre a orixá Euá (ou Ewá). Euá se deitou no chão e se transformou em uma nascente de água para salvar seus filhos.
Fotografia e Texto: Eduardo Vieira
Modelo: Noemi Queirós
Agência: 011 agency